História

Matinha de Queluz

A Matinha era uma pequena tapada de caça originalmente separada dos jardins por uma ponte ou passadiço sobre o rio, cujo acesso foi suprimido no século XX, quando da construção do agitado eixo viário designado por IC19.

A documentação de arquivo sugere que esta área foi estabelecida nos finais da década de 1770. Um projecto do século XVIII guardado nos arquivos nacionais mostra um traçado rococó surpreendente, sendo talvez o documento mais revelador relativamente às aspirações dos “arquitectos paisagistas” que pontificaram em Queluz. Embora não esteja assinado, o traçado da Matinha pode ser atribuído a Jean Baptiste Robillion.

A Matinha era uma pequena tapada de caça originalmente separada dos jardins por uma ponte ou passadiço sobre o rio, cujo acesso foi suprimido no século XX, quando da construção do agitado eixo viário designado por IC19.

A documentação de arquivo sugere que esta área foi estabelecida nos finais da década de 1770. Um projecto do século XVIII guardado nos arquivos nacionais mostra um traçado rococó surpreendente, sendo talvez o documento mais revelador relativamente às aspirações dos “arquitectos paisagistas” que pontificaram em Queluz1. Embora não esteja assinado, o traçado da Matinha pode ser atribuído a Jean Baptiste Robillion. Por outro lado, a legenda da referida planta deixa perceber que se trata de um levantamento, podendo assim assumir-se que a Matinha foi efectivamente plantada de acordo com este risco:

Planta da Mata da Real Quinta de Quelus feita sem medidas, e so a golpe de vista. Os N.os 1 Ruas que estão feitas. a cor verde, maes crespida, Mato alto; menos crespida, Mato curto: aliza, Olival: acorparada ruas tortas feitas a feição do mato; o pontiado em volta do muro podemse por Oliveiras : Todas as talhadas que tem a Mata, não estrovão a execução da Planta porterem. as sepas, e creser outravés mato: n.º 2 Estrada n.º 3 Ponte : n.º Muro da Quinta Real :  n.º Rio.

A letra de forma dos Tratados de Jardim setecentista classifica este tipo de mata ou bosque como brutes & champêtres, dando como exemplo as florestas de  Fontainebleau, do Bois de Boulogne ou de Vincennes, em Paris.

O mesmo autor refere que os bosquetes podem ser na forma de florestas ou grandes bosques de árvores de grande porte que crescem
de forma espontânea, onde se abrem pequenos caminhos para a caça:

Les Forêts & grands Bois de haute-futaïe sont ainsi appellés, à caùse de leur hauteur & de leur étendue considerable. On y compte au moins une lieuë ou plusieurs arpens de circuit : ils sont composés de grands arbres tres-élevés & trèsproches l›un de l›autre , qui forment une hauteur touffue &c tres-épaisîe. Ces Bois n›ont point de palissades, ni d›allées ratisiées ; ce ne sont que des routes pour la chasse. Us sont ordinairement plantés en étoile, avec un grand cercle dans le milieu, où viennent aboutir toutes les routes. [Dézallier, 1709:48]

Sabemos pela documentação que a construção dos muros e arruamentos da Matinha se situa no final da década de 1770, quer pelos recibos de entrega de material, “Recebeo Manoel da Sylva nove centos reis de carradas de pedra para a matta” ou pela referência à construção do “Portal da Mata”, em 1779.

Porém a plantação da Mata deverá ser anterior, contemporânea do Bosqueto de Queluz a avaliar pela quantidade de árvores que ali chegam a partir de 1750. De acordo com estas linhas gerais, a documentação de Queluz demonstra que árvores para a plantação do Bosquete e Mata foram importadas da Holanda durante a década de 1750, além de outras aquisições em 1765, essas para o Jardim Novo. A maioria dos registos refere-se a tílias, olmeiros e castanheiros bravos. Em 1756. Entre 1755 e 1756 foram enviados da Holanda dois carregamentos com 800 tílias, castanheiros bravos e ulmeiros e compradas 180 “caneleiras” ou “Louros d’África”. O inventário de 1798 regista cerca de 1000 folhados e igual número de Ulmeiros, 500 freixos além das oitocentas tílias.

A Matinha compunha-se por um grande olival, vinhas, mato e muito arvoredo, mas tinha também árvores de fruto. Alexandre Rodrigues Ferreira refere no final de setecentos: Na Mata, onde havião 1538 árvores fructiferas, se puzerão 1799. Se cotejarmos este documento com o Inventário de 1798, descrito pelo mesmo Almoxarife, deduzimos que se refere a Medronheiros, Oliveiras e possivelmente também a árvores de caroço como as amendoeiras, castanheiros e damasqueiros, algumas das espécies listadas num capítulo que designou por Arvores e Arbustos fructiferos.

No centro da Matinha havia uma praça de touros circular que nunca foi acabada. Fora mandada construir pela Rainha Dona Carlota Joaquina em 1823 para recreio do seu filho, o Infante D. Miguel. As caçadas em Queluz atraíram a corte e a família real. A partir de 1730 a Gazetta refere compassadamente o «divertimento de combate de touros» e a «caçada de javardos», dando também notícia do «divertimento no exercício da caça no sitio de Queluz». Sendo uma tapada de caça, na Matinha existiam sobretudo javalis, lebres e cabras do mato. No tempo de D. Pedro III as caçadas mantinham-se como um dos principaes entretenimento da corte. Em 1778, por ocasião da visita do príncipe Camille de Ronham, D. Pedro convidou-o para uma «caçada em Queluz». Almoçaram e passearam na Mata nos carrinhos de recreio, sendo que o dia terminou com um esplendido jantar servido na Barraca Rica.

Junto da porta principal existiu um lago que em Outubro de 1941 foi removido para o terraço sobre a balaustrada Robillion, onde se assentou o pequeno lago que se encontrava na Matinha. Este motivo ornamental acompanhado do ajardinamento que vai emoldura-lo, deve melhorar extraordinariamente aquele recanto de balaustrada. No relatório do mês seguinte Ventura Porfírio informa que no terraço da balaustrada Robillion, ficou concluído o assentamento do lago que foi transferido da Matinha. As obras levadas a efeito pela Direcção Geral de Edifícios e Monumentos a partir de 1940 incluiu a limpeza das valetas e dos arruamentos e a consolidação e pintura do portão de entrada, junto do qual foi plantada uma sebe de loureiros a fim de esconder os muros.

 

A Quinta do Almoxarifado de Queluz

À Casa do Infantado, desde a sua criação, foram concedidas importantes doações. Pelo Alvará de 17 de Agosto de 1654, recebeu a Quinta de Queluz e casas em Corte-Real, tendo sido adquiridas outras, em hasta pública ou por negociação privada ao longo do tempo. As propriedades que rodeiam a Quinta de Queluz estavam divididas em muitos terrenos agrícolas e no conjunto formavam o “Real Sitio de Queluz”. De acordo com os levantamentos cartográficos de  J.A. Abreu, em 1865 e 1893, representavam uma área com pouco mais de 140 hectares. Estas quintas eram conhecidas como Cazal Grande, Cazal da Rainha, Cazal do Deão e Cazal dos Affonsos, com suas terras e serrados. A “Serenissima Caza do Infantado” possuía também a Quinta Nova que era contígua a Queluz.

Compunha-se de pomar de espinho e caroço, vinha e zona de horta e meloal. Dispunha de arruamentos com latadas, dois tanques e casario para os trabalhadores e para a fruta.

O Cazal Grande destinava-se à semeadura de 13 moios e 25 alqueires de cereal. Era composto pelas Terra da Carvoeira, Serrado do Rio, Gallega de José Francisco, As Ruivas, Geira d’entre Combros, Cova da Mina, Valle da Estrada, Geira do Norte, Terra do Olheiro, As Forcadas, Cova do Curro, Testeiras do Curro (27.524 hectares);

Cazal da Rainha: Tapada, Arêda, Figueirinha, Altas, Terra da Fonte, Terra das Pedras, Terra Grande, Terras do Moinho, Cabeceira da Vinha, Terras das Silvas, Monte Tinhaso, Serrado de Queluz de Baixo, Serrado das Pegões (42.995 hectares);

Cazal do Deão: destinava-se à semeadura de 13 moios e 25 alqueires de cereal e compunha-se da Terra das Cortinhas, Serrado da Nogueira, A Vajada e Moinho Quebrada, Terrado das Cazas e Eira, Cabeceira da Azinhaga, Enrezinadas, Serrado das Ulmas, Lagoa do Deão, Matta de Baixo, Matta de Cima, Serrado do Cabrão, Gallega da Serra (22.964 hectares);

Cazal dos Affonsos em Queluz de cima destinava-se à semeadura de 5 moios e 88 alqueires de cereal. Compunha-se de pomar de espinho e caroço, vinha e zona de horta. Dispunha de casario para gado e pombal. As Soirans, Terra da Calçada, Terra da Peça, Travessa, Lagoa das Pombas, Terra do Moinho, Terra do Moinho do Cascalho, Cova da Levada, Terra do Pombal, Terra das Minas, Terra das Quintães, Horta do Luiz da Silva, Gallega Grande e Tapadinha, Gallega do Tojal. (48.118 hectares).

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Programa

15,16, 22, 23

29 e 30 DE JUNHO

Atividades de Verão na Matinha de Queluz

Atividades Desportivas

Jogos Infantis

Animação Cultural

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